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sexta-feira, outubro 13, 2006

Bar

No mármore da mesa escrevo

Letras que não formam nome algum.

O meu caixão será de mogno,

Os grilos cantarão na treva...

Fora, na grama fria, devem estar brilhando as gotas
pequeninas do orvalho.
Há, sobre a mesa, um reflexo triste e vão

Que é o mesmo que vem dos óculos e das carecas.

Há um retrato do Marechal Deodoro proclamando a República.

E de tudo, irradia, grave, uma obscura, uma lenta música...

Ah, meus pobres botões! eu bem quisera traduzir, para vós, uns
dois ou três compassos do Universo!...
Infelizmente não sei tocar violoncelo...

A vida é muito curta, mesmo...

E as estrelas não formam nenhum nome.

[Mario Quintana; Aprendiz de Feiticeiro, 1950]

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3 Comments:

  • Olá, vim aqui te conhecer, A vida é muito curta, e por isso urgente. bjus

    By Anonymous Rosa, at 9:47 AM  

  • "a vida é muito curta".

    era disso que eu precisava para uma redação.

    obrigado

    By Anonymous Jorge Luiz, at 12:46 AM  

  • Ahhhh...esse tema tão constante na obra dele....~Quando leio esse poema...acho que a vida me parece ainda mais curta...e rápida...e ...perturbadora.

    By Blogger anapaulapazini, at 6:54 PM  

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Em meio aos toros que desabam,
cantemos a canção das chamas!

Cantemos a canção da vida,
na própria luz consumida...

[Mario Quintana]