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segunda-feira, setembro 29, 2008

Compensação


Na inocência da natureza

Todos têm a beleza do que eles próprios são.

Por isso é que os monstros
- por mais que eles assustem crianças e adultos -

Têm sempre os olhos azuis...




[Mario Quintana; Velório sem defunto, 1990]



Hipóteses

Quando escrevo as minhas coisas é tudo no passado.
Parece até que já tenha morrido...
E daí?
Ou talvez seja a poesia, onde tudo não morre...






[Mario Quintana; Velório sem defunto, 1990]


domingo, setembro 28, 2008


Deus tirou o mundo do nada.
Não havia nada mesmo...
Nem Deus!



[Mario Quintana; Velório sem defunto, 1990]


sexta-feira, setembro 26, 2008

O vento e eu

O vento morria de tédio
Porque apenas gostava de cantar
Mas não tinha letra alguma para a sua própria voz,
Cada vez mais vazia...

Tentei então compor-lhe uma canção
Tão comprida como a minha vida
E com aventuras espantosas que eu inventava de súbito,
Como aquela em que menino eu fui roubado pelos ciganos
E fiquei vagando sem pátria, sem família, sem nada neste vasto mundo...
Mas o vento, por isso
Me julga agora como ele...
E me dedica um amor solidário, profundo!





[Mario Quintana; Velório sem defunto, 1990]


quinta-feira, setembro 25, 2008

A música e a letra

Os pássaros pousados na pauta dos fios do telégrafo,

Eles é que vão sucessivamente improvisando

- um após outro -

A letra e a música dos ventos...




[Mario Quintana; Velório sem defunto, 1990]


quarta-feira, setembro 24, 2008

Os velhinhos


Como os velhinhos - quando uns bons velhinhos
São belos, apesar de tudo!
Decerto deve vir uma luz de dentro deles...
Que bem nos faz sua presença!
Cada um deles é o próprio avô
Daquele menininho que durante a vida inteira
Não conseguiu jamais morrer dentro de nós!




[Mario Quintana; Velório sem defunto, 1990]


terça-feira, setembro 23, 2008

Diplomacia

Nunca perguntes que horas são perto de um defunto
(as almas não entendem essas coisas...)

E, perto de um crocodilo - cuidado!

- Jamais te refiras a bolsas e sapatos de senhora: eles são muito suscetíveis...




[Mario Quintana; Velório sem defunto, 1990]


segunda-feira, setembro 22, 2008


Têm qualquer coisa de anjo esses suicidas voadores.
Qualquer coisa de anjo que perdeu as asas...



[Mario Quintana; Velório sem defunto, 1990]


domingo, setembro 21, 2008

Crenças


Seu Glicínio porteiro acredita que rato, depois de velho, vira morcego.

É uma crença que ele traz da sua infância

Não o desiludas com teu vão saber,

Respeita-lhe os queridos enganos:

Nunca se deve tirar o brinquedo de uma criança

Tenha ela oito ou oitenta anos!



[Mario Quintana; Velório sem defunto, 1990]


sábado, setembro 20, 2008

Perfil

Naqueles tempos,
Ele era tão inconstante de espírito e de coração,
Que seus olhos eram sempre da cor da gravata
Que estava usando na ocasião...



[Mario Quintana; Velório sem defunto, 1990]


sexta-feira, setembro 19, 2008

Para onde irão dar as belas cidades do sonho?
Não parecem muito diferentes das nossas...
Pois acabamos de encontrar na rua, jogando pelada,
Aqueles lindos negrinhos cor de ouro...
Mas eis que de repente cai uma chuva de pingos multicoloridos
E ficamos mascarados de tudo quanto é cor.
Não podemos deixar de rir...
Só nos assusta, querida, o vôo rasante dos pterodátilos
Que - não se sabe como - nos sobraram dos céus antediluvianos.
Mas lá vem vindo um diretamente contra nós
E ficamos agarrados como conchas,
Como as duas conchas de uma mesma ostra
- voluptuosamente única!




[Mario Quintana; Velório sem defunto, 1990]


quinta-feira, setembro 18, 2008

Medo

Há uma coisa arrastando-se misteriosamente pelo chão da noite.
Acendo a luz e some-se...
É que tem medo - é que ela própria tem um medo terrível
Do que será!




[Mario Quintana; Velório sem defunto, 1990]


quarta-feira, setembro 17, 2008

Nevoeiro


Sinto-me naquela antiga Londres
Onde eu quisera ter andado
Nos tempos de Sherlock - o Lógico
E de Oscar - o pobre Mágico...




[Mario Quintana; Velório sem defunto, 1990]


terça-feira, setembro 16, 2008

Memória

Em nossa vida ainda ardem aqueles velhos, aqueles antigos lampiões
de esquina

Cuja luz não é bem a deste mundo...

Porque, na poesia, o tempo não existe!

Ou acontece tudo ao mesmo tempo...






[Mario Quintana; Velório sem defunto, 1990]


segunda-feira, setembro 15, 2008

Confissão


Que esta minha paz e este meu amado silêncio
Não iludam a ninguém
Não é a paz de uma cidade bombardeada e deserta
Nem tampouco a paz compulsória dos cemitérios
Acho-me relativamente feliz
Porque nada de exterior me acontece...
Mas,
Em mim, na minha alma,
Pressinto que vou ter um terremoto!




[Mario Quintana; Velório sem defunto, 1990]


domingo, setembro 14, 2008

Censo demográfico


Não sei por que diziam que uma humilde cidadezinha
Tinha, por exemplo, umas quinze mil almas...
Almas? Hoje, o que elas têm são quinze mil bocas,
Loucas de fome!






[Mario Quintana; Velório sem defunto, 1990]


sábado, setembro 13, 2008

Noturno

De noite todos os meus pensamentos são escuros
E todas as palavras têm a letra "u"
Rude
Virtude
Cruzes!
Até mesmo, Bandeira, teu "sapo-cururu da beira do rio"!
Não me digam que o melhor é acender todas as luzes!
Odeio a luz elétrica e todas as luzes artificiais.
A gente repousa na escuridão como num ventre maternal.
E o melhor enredo para isso tudo
É me atirar de súbito num açude
Seco!






[Mario Quintana; Velório sem defunto, 1990]


sexta-feira, setembro 12, 2008

Os três reis magos


Um trouxe a mirra,
Outro o incenso,
Outro o ouro.
Mirra e incenso evaporaram-se
E, agora,
Ainda queres saber o que foi feito do ouro?
Mas tu não sabias?! O ouro também evapora-se...


[Mario Quintana; Velório sem defunto, 1990]


quinta-feira, setembro 11, 2008

Fim do mundo?


Um homem sozinho numa gare deserta
À espera de um trem que nunca vem.
Por fim, vai informar-se no guichê da estação.
Não encontra ninguém...




[Mario Quintana; Velório sem defunto, 1990]


quarta-feira, setembro 10, 2008

O amor eterno

Dante se enganou: Paolo e Francesca
Continuariam bem juntinhos no Inferno, com pecado e tudo
Juntinhos e felizes!
Mas quem sabe se não seria este mesmo o castigo divino?
Um amor que jamais pudesse terminar...




[Mario Quintana; Velório sem defunto, 1990]


terça-feira, setembro 09, 2008

Elegia


Esta noite eu sonhei que tinha morrido criança
E os que vieram ver o corpo do pobre menino
Apenas sentiram um cheiro evanescente de chocolate
E de balas de coco...
E uma colherinha morta no chão!





[Mario Quintana; Velório sem defunto, 1990]


segunda-feira, setembro 08, 2008

Romance


Quando, ainda menino, briguei ainda uma vez para sempre com
Adalgisa
Não fui olhar a saída da missa de domingo,
Como era costume naqueles ingênuos e queridos tempos,
E fui passear pela rua da sua casa
Ver a placa da esquina
Despertar o costumeiro revôo dos pombos na calçada
Não esqueci nada, nada daquilo...
Tudo tão cheio da ausência dela!




[Mario Quintana; Velório sem defunto, 1990]


sábado, setembro 06, 2008

Encontro mágico


Eis que encontro na rua uma das moças mais lindas do mundo.
Vestida simplesmente, parecia no entanto uma princesa
Um meigo olhar, um sorriso que parecia uma aurora dentro de nós.
Não pude, não pude mais e lhe indaguei de súbito:
"Como é teu nome, minha querida?"
E ela respondeu-me simplesmente: AUSÊNCIA.




[Mario Quintana; Velório sem defunto, 1990]


eterno espanto

"Em que estrela, amor, o teu riso estará cantando?"

[Mario Quintana]


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Os textos encontrados aqui são fragmentos da obra de Mario Quintana - e sempre que possível será citada a fonte original, com o nome do livro e editora.
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INSCRIÇÃO PARA UMA LAREIRA

A vida é um incêndio: nela
dançamos, salamandras mágicas
Que importa restarem cinzas
se a chama foi bela e alta?
Em meio aos toros que desabam,
cantemos a canção das chamas!

Cantemos a canção da vida,
na própria luz consumida...

[Mario Quintana]