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sábado, junho 07, 2008

LXX. DA CARIDADE

Se se pudesse dar, indefinidamente,
Mas sem, do que se deu, nada perder, em suma,
Ainda assim, muita gente
Nunca daria coisa alguma...


LXXI. DAS PENAS DE AMOR

É só por teu egoísmo impenitente
Que o sentimento se transforma em dor.
O que julgas, assim, penas de amor,
São penas de amor-próprio, simplesmente...


LXXII. DO OBJETO AMADO

Impossível que a gente haja nascido
Com os encantos que um no outro vê!
E um belo dia se descobre que
Houvera apenas um mal- entendido...


LXXIII. DA REALIDADE

O sumo bem só no ideal perdura...
Ah! quanta vez a vida nos revela
Que "a saudade da amada criatura"
É bem melhor do que a presença dela...


LXXIV. DO AMOROSO ESQUECIMENTO

Eu, agora - que desfecho! -,
Já nem penso mais em ti...
Mas será que nunca deixa
De lembrar que te esqueci?


[Mario Quintana; Espelho Mágico, 1945]

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A vida é um incêndio: nela
dançamos, salamandras mágicas
Que importa restarem cinzas
se a chama foi bela e alta?
Em meio aos toros que desabam,
cantemos a canção das chamas!

Cantemos a canção da vida,
na própria luz consumida...

[Mario Quintana]